31 dezembro, 2005

Fora o Ano Velho...Viva o Ano Novo!

Vamos brindar ao Ano Novo com gotas de Amor e Amizade.
Que as taças transbordem de Boa Vontade e Esperança.
Que haja Paz
e Tolerância.
Que os dias sejam cheios e as noites calmas.
Que saibamos dar valor ao que temos e somos.
Que sejamos criativos e interrogadores.
Que partilhemos.

Este blog é ainda uma criança. Que seja um espaço onde a emoção seja rainha...

Bom Ano para todos os blogueiros!

30 dezembro, 2005

Um dia de domingo...

Já tenho música no blog! Uaaaaaaauuuuu!
Como adivinhaste que eu gostava....?
É, gosto muito da Gal Costa...e esta é uma das minhas preferidas.
Coincidência? Não...




Um dia De Domingo

Composição: Michael Sullivan e Paulo Massadas

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar de encontro ao vento

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração


Obrigada, Vida de Papel!

29 dezembro, 2005

Tenho tanto que aprender...


Pois é. Tenho muito que aprender! É isso que me faz avançar sempre, esta louca curiosidade, esta vontade de saber mais...A Web e os seus caminhos deixam-me fascinada!
Ontem já consegui alterar algo neste blog; mas continua mudo, a música não sai!!!!! Quem me dera que alguém me pudesse dar uma ajuda...Mas já estou decidida: vou aprender Html, vou-me inscrever no próximo semestre num curso pós-laboral de Macromedia Dreamweaver e Flash. Faz-me falta! Se soubesse, já tinha mudado a côr do cabeçalho, a música soaria docemente, um relógio diria o tempo, sei lá...
O mundo dos blogues foi-me apresentado recentemente por uma amiga do coração. É um mundo divertido, por vezes muito sério e triste, mas sempre generoso na partilha. Nele apercebo-me do sofrimento, da solidão, das perdas, dos desgostos por que tantos passam...E apetece-me abraçá-los, dizer-lhes que o amanhã trará luz nas suas vidas, que nada de tão mau dura tanto tempo! Tenho vontade de lhes dizer que passei por tudo isso durante os meus 57 anos de vida e que hoje estou em paz, serena e sou amada...

27 dezembro, 2005

Bastou um olhar...Era tão simples!

Nunca me senti tão desmotivada com a época natalícia como este ano...Nunca chorei tanto num Natal como neste...Nunca me senti tão sem sentido...
Porque este Natal, mal me telefonavam, entupia. E ouvia do outro lado: - Então, o que é isso??? Mas a voz não saía, ficava presa...Às tantas deixei de telefonar!
Felizmente passou o Natal! Só agora entendo quando alguém me dizia: -Tomara que passe depressa... Entendo tão bem! Hoje bastou um olhar na câmara do computador e VER a minha neta a esbracejar, a rir, a palrar, a escutar a musiquinha que lhe cantei, para o meu coração se inundar de alegria e secarem todas as lágrimas que me deixaram tão triste...! Vi-a e fiquei outra! Afinal era tão simples...

Paz Eterna!



Acendo uma vela e peço a Deus a Paz Eterna a todos quantos pereceram no Tsunami.
Fez ontem 1 ano...

26 dezembro, 2005

Dia de Natal...

Ontem, dia de Natal, revi Cinema Paraíso.
É sempre uma enorme emoção ver um filme que fala de si mesmo, do cinema! Do amor pelo cinema, da fascinação, da sua magia, dos sonhos que faz viver e reviver...Fala de um amor perdido, amor adolescente! Fala da partida para o sucesso na grande cidade, deixando tudo para trás, porfiando um sonho...Fala do regresso à sua vila da Sicília, já como produtor cinematográfico famoso, do encontro com a realidade, da perda do melhor amigo...Fala ainda, pela boca da velha mãe de Toto, da sua vida vazia de amor, dizendo que sempre que lhe liga, vem ao telefone uma mulher diferente. Que gostava que ele ficasse arrumado, que alguma mulher se apaixonasse por ele e até ao momento nada disso lhe tinha acontecido. E no fim, fica com as recordações deixadas pelo seu amigo, dois filmes: no primeiro, as do seu amor perdido, Elena, que o põem nostálgico, ainda o fazem sofrer; na segunda bobine, estão as cenas de amor, os beijos, cenas censuradas dos filmes de então! E nesse momento, ao ver estas cenas, transfigura-se...
Deixará, enfim, entrar o amor na sua vida?

Uma beleza, sempre uma beleza de filme!
Se chorei? Claro que chorei...


24 dezembro, 2005

Feliz Natal!

Chegou a véspera de Natal...Estou sozinha dentro de casa, só iluminada pelas luzes da árvore de Natal e da lareira. O Fernando está na garagem a carpinteirar, a Marta anda a distribuir os presentes. A família de Macau já dorme a sono alto, depois de uma ceia com todos, apenas para dois e meio!!! A TV passa um filme de Natal, só oiço o ruído...Não me apetece nada, estou muito vazia. É uma sensação estranha numa véspera de Natal. Há quem não suporte o Natal, mas eu até achava uma época fantástica, só faltando a neve, claro!!!! Parece que me vou desligando a pouco e pouco, tudo isto é algo surreal...Será que estou a ficar sem paciência?
Seja como for, agradeço tudo o que recebi este ano: a minha neta, trabalho para a minha filha caçula, saúde, o amor do Fernando, o carinho dos amigos!
Por tudo isto, meu Deus, OBRIGADA!

23 dezembro, 2005

Ser avó...

Ser avó é muito especial...Nunca pensei que tal doença me atacasse tão fortemente, ao ponto de ficar horas a olhar para a pequenita, completamente fascinada! É o meu amor pequenino, como lhe chamo com ternura, quando falo ao telemóvel...
Agora só posso imaginar como estaria com ela, como brincaria, os mimos que lhe faria...Sim, só posso imaginar, porque a minha neta Inês está a milhares de quilómetros de distância, mais própriamente na China. Tinha de ser assim, não é? Eu aceito, mas custa-me, ai se custa! Imagino o que seria o Natal com todos à volta, na minha sala finalmente decorada para o evento...Imagino o que lhe cantaria, as macacadas que faria, o colinho que daria! Imagino, porque não posso fazer mais nada...E nem sequer posso imaginar porque as lágrimas, teimosas, correm e deixam-me ainda mais feiosa....!!! Não, não quero chorar este Natal, com saudades dos que estão tão longe! Quero ser forte e pensar que para eles é bom estarem sozinhos, vivendo uma vida como querem, longe de interferências externas...Afinal eu não fiz o mesmo?????

18 dezembro, 2005

Girassol porquê?



Chamava-se Girassol. A Pensão da minha avó materna, junto à Estação, na Figueira da Foz. Edifício bonito ainda hoje, embora com uma cor diferente, vermelho escuro. Lembro-me do quarto onde ficámos, quando viémos de férias de Moçambique. Era virado para as traseiras e via-se o rio Mondego. Fiz 6 anos, tive algumas prendas entre elas um acordeão de brinquedo, que adorei!
Ainda hoje quando se fala de alguém da família da minha mãe se diz : é mesmo girassol! Isto tem um significado marcante para as mulheres. São todas de ancas largas, bundinha avantajada, a tal girassol!!!! Pois eu também sou assim...Só que não saí às minhas tias e primas, que são quase todas altas! Não, tinha de ser meia leca e ainda por cima com o cú girassol!!!! Azar? Bom, hoje já não me incomoda...
Sou um Girassol assumido, amarelo, brilhante! Olho para o campo de girassóis à minha volta e sinto-me bem...Sei que cresci, respeitando, admirando, amando... Sei que tenho uma missão e quero realizá-la com todo o amor que me fôr possível. Melhor, com amor não há impossíveis. O amor é por si só um meio e um fim...

16 dezembro, 2005

Amor com humor...

Não suporto a infidelidade. Quero o meu amor só para mim! Ao longo destes 33 anos de vida em comum, continuo apaixonada, e posso dizer que sofreria imenso, talvez duma maneira irreversível, se fosse atraiçoada. Porque é disso que trata a infidelidade: traição, humilhação, troca...Quando amamos verdadeiramente, ficamos em estado de graça, em paz connosco e com o mundo! O problema reside em alimentar este amor a dois por tanto tempo, sem que as pequenas querelas, que normalmente aparecem entre seres diferentes, deixem marcas profundas a ponto de começar a destruir a relação...Ao longo destes anos adoptei alguns truques que parecem fazer o efeito desejado. Vou passar a descrevê-los.
Ficámos sempre juntos, nunca nos afastámos muito, vivendo sempre praticamente sozinhos, sem família por perto; fizémos uma vida muito simples, sem grandes eventos sociais, vivendo na nossa casa de campo, apenas convivendo com os nossos amigos moçambicanos, que acabaram por ser a nossa família. O amor para nós é divertido, jovem, muitas vezes surpreendente; portamo-nos como jovens enamorados... Brincamos com o amor usando o humor, amando perdidamente!
Será este o segredo duma relação durar tanto?

13 dezembro, 2005

Terna é a noite...



A Lili está a dormir em cima do monitor, seu local preferido; aquece-lhe a barriga e está perto de mim. Às vezes penso que é gente, tal a sua dedicação e reacções! A lareira geme, emanando um calor entorpecente pela sala. O Fernando dorme no sofá, enrolado na manta castanha de peluche, com respiração pesada, de cansaço. É uma quietude saborosa, sensação de estar tudo no seu lugar...A verdade é que amo este sossego, estas horas de comunhão silenciosa. Nestes momentos, percebo o valor desta companhia sem palavras e fico em paz.
Terna é a noite...com o meu amor por perto!

12 dezembro, 2005

Que fim de semana!


Foi excepcional...Finalmente arranjei coragem e energia para fazer as decorações de Natal! A razão foi unicamente a vinda da Tia Alice de Lisboa... Carregada de mimos: presentes, torta de laranja, arroz doce à moda de Coimbra e até trouxe bacalhau para fazer as célebres pataniscas ...com medo que eu não o tivesse em casa !!!! Foram serões de risadas, de recordações...Foram deambulações pelas lojas dos 300 e ainda uma visita ao Santuário de Vagos para acender umas velinhas! Por agradecimento de tantas coisas boas que nos têm acontecido...Tanta cumplicidade, é interessante!

Nascemos no mesmo dia, 23 de Maio, somos do signo dos Gémeos, signo do ar, da comunicação, do convívio social! Também é a minha madrinha: levou-me, às escondidas dos meus Pais, a um padre para ser baptizada, sendo o meu padrinho, São José!!!! Eu, que pensava que não era baptizada, fiquei perplexa quando soube!!!! Devo-lhe a vida...Guardou a minha mãe dia e noite para que não fizesse alguma asneira...Gostava tanto de mim, que não queria que a minha mãe me desse de mamar, para que não gostasse mais dela! Quando fui para África o desgosto foi enorme! Mandava-me sacos de pevides de barco, que eu devorava, enquanto lia livros e livros sem fim...Ainda hoje adoro pevides...Ai as pevides da minha Figueira, que delícia!
Há pessoas que nunca deviam desaparecer e a Tia Alice é concerteza uma delas!!!!

08 dezembro, 2005

Este Natal fomos irmãos...




O tempo passa.
Se vamos ser amigos, sejamos
amigos agora,
Ou um dia regressaremos ao
espaço da nossa infância
E descobriremos que, quando
chamamos pelo nosso amigo,
Já não ouvimos a sua resposta,
Apenas o nosso eco.


Juntámos os amigos à roda da mesa. Brindámos por tantas coisas, trocámos lembranças. Sentimos calor, abrimos o nosso peito para tantos contos, rimos juntos.
Que prazer estar assim em companhia...Que gozo em momentos para lembrar sempre.

Este Natal fomos irmãos, nos desejos, nos gostos, na generosidade, nos prazeres.

Gostava de dizer...



Foi difícil aceitar. De repente fiquei sozinha com as garotas, 7 e 9 anos, numa casa isolada, sem vizinhos. Ele tinha-se ausentado, cansado da rotina do trabalho, para especialização no Canadá. Seis longos meses, sem mais ninguém de família por perto, contando só comigo. Primeiro, foi a estupefacção, a surpresa, depois a dor. Assim surgiram as rimas, sem querer...
Gostava de dizer que sinto
a falta da presença
querida, tão amada

Gostava de dizer que sinto
vontade de beijar o rosto
querido, tão amado

Gostava de dizer que odeio
a solidão que me rodeia,
o perigo que me espreita
e me angustia

Noites sem fim,
sem hora, sem ruído
Noites longas
que passam devagar

Quisera adiantar o tempo
Quisera não chorar.


05 dezembro, 2005

Natal à porta!

O Natal está a chegar e eu não sou a mesma...Os enfeites continuam dentro das caixas no chão da sala, as decorações e as compras de Natal continuam por fazer... Não fiz nada!
Lembro outros Natais em que as filhas, Tita e Marta, viviam essa época com toda a alegria: decoravam a sala logo no dia 1 de Dezembro, corríamos as lojas à procura das lembranças ...Depois a Tita sentava-se na sala, prendas, papel de embrulho, fitas espalhadas pela mesa e fazia os embrulhos com toda a paciêcia e dedicação! E que lindos embrulhos que saíam! Escrevia os cartõezinhos, colocava os presentes em grandes sacos brilhantes, um para cada família de amigos. Na véspera de Natal, lá iam as duas distribuir as prendinhas às casas dos amigos; era a Tita que preparava a ceia. Eu fazia as rabanadas e mesmo assim...era uma luta! Ó mãezinha, quando é que fazes as rabanadas? Já são 4 horas...E eu lá ia para a cozinha com grande esforço!!!!! Só para o pai havia bacalhau com couves, o prato tradicional!!! Nós as três deliciávamo-nos com um bacalhau com natas oferecido pela Céu, enquanto ouvíamos as canções de Natal...Foi sempre assim, o Natal passado com simplicidade, juntinhos... Por isso, agora o Natal não é o mesmo e eu também não....longe delas!
Que porcaria de País é este, que obriga os seus jovens a emigrar para singrar na vida?

03 dezembro, 2005

Histórias da Tia Alice I

Alice, Menina Alice, Alicinha, para os amigos e conhecidos, Tia Alice, para os sobrinhos e não só! É a Tia Alice, para muitos que a conhecem e lhe pedem carinhosamente para lhe chamar assim...A razão é simples: toda a gente gosta dela! Onde está, nota-se, mais, enche o ambiente! Com a sua alegria, os ditos espirituosos, uma energia enorme que nos transmite... Não queremos deixá-la! A Tia Alice é uma mulher fenomenal! Mulher com M grande, corajosa, lutadora, tendo conseguido com trabalho árduo e penalizante para a sua saúde, atingir todos os objectivos a que se propôs, sempre com uma postura irrepreensível! Mas não estou aqui para contar episódios tristes...Vou, sim, tentar contar as muitas histórias da Tia Alice que nos fazem rir ou sorrir...antes que me esqueça delas! Foi com ela que comecei a viajar sozinha para grandes distâncias, sem conhecer caminhos nem terras... Tem sido com ela que me tenho divertido à brava, quando resolvemos fazer uns passeios, sem macho por perto! É sempre uma aventura e imensamente gratificante: é Viver como só ela o sabe fazer!
Ò Tia Alice, quando vamos outravez????

02 dezembro, 2005

Conceição

Conceição, São ou Sãozinha para os familiares, como era conhecida. Uma mulher de sorriso doce, paciente, resignada, até. Com razão, traída pelo seu amor, trocada por outra, humilhada...Mas com coragem e energia suficientes para pular por cima, engolir o sofrimento, empurrar o traidor para bem longe da enganadora tentação. Para África, vida nova, começo de uma existência calma, serena, sem mais traições, nem desgostos. Só que tudo tem um preço e para ela o preço foi bem alto! Partiu apenas com 42 anos, deixando atrás de si um rasto de saudade e desgosto. Para ele, foi quase a morte, para mim, criança pequena, mimada por ela, foi o vazio de uma vida inteira! Apesar da sua ausência, senti-a perto, sei que sempre me protegeu, estou-lhe grata por isso!
Tocava orgão na igreja evangélica, que depois da sua partida se calou por muito tempo! O seu hino preferido dizia assim:


Sou estrangeiro aqui
Em terra estranha estou
Celeste pátria sim

É para onde vou


Embaixador por Deus

Dos reinos de além Céus
...
.....................................


Não sei se era premonição. Talvez este mundo tão pouco justo não fosse lugar para ela...Prefiro pensar assim...

01 dezembro, 2005

Uma questão de amar...

Ainda hoje é assim...Ele já não é o mesmo rapazinho loiro, de olhos verdes, franzino. Os cabelos embranqueceram, os olhos estão de um verde diferente, engordou, não muito, mas, para mim é o mesmo jovem por quem me apaixonei. Olho para ele e sinto a mesma ternura, o mesmo encanto! À excepção das vezes que me fala no dinheiro que gasto e que ele gostava de poupar...Mas isto fica para uma próxima vez! Hoje falo de amor, amor verdadeiro, que continua o mesmo, apesar dos 33 anos passados em conjunto.

É tal como canta Adriana Calcanhoto:



Avião sem asa, fogueira sem brasa
Sou eu assim sem você
Futebol sem bola. Piu-Piu sem Frajola
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Amor sem beijinho,
Buchecha sem Claudinho
Sou eu assim sem você
Circo sem palhaço, namoro sem amasso
Sou eu assim sem você
To louca pra te ver chegar
To louca pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço, retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo Porque? Pooooooorque?

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você

Por que é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo instante
Nem mil alto-falantes
Vão poder falar por mim

Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo



30 novembro, 2005

Ilha Encantada


Jovens universitários, éramos um grupo pequeno de finalistas de Agronomia em viagem de estudo ao norte Moçambique. Já tínhamos passado pela Beira, Vila Pery, Quelimane e chegámos a Nampula. Rumámos à Ilha de Moçambique, era a primeira vez que iria visitá-la e estava curiosa! Ficámos instalados numa pensão e preparámo-nos para um magnífico jantar de marisco...Hummmm, que noite agradável, quente, serena! No dia seguinte partíamos novamente para Nampula, a visita era curta, havia que aproveitar o tempo todo! Levantei-me muito cedo, talvez cinco da manhã, ainda era de noite. Tinha combinado de véspera com alguns colegas ir até à piscina da Pousada, tomar uma banhoca e ver o nascer do Sol....Afinal eles já tinham desaparecido e acabei por me meter a caminho sozinha. Momentos mágicos são esses que tenho para contar...

Percorro só estreitinhas ruas
de madrugada, é noite
de amarguras...
Chego à piscina ladeada a mar
e espero a aurora
do dia, o raiar...

Não estou sozinha
Oiço um marulhar,
além das ondas ,
rir e sussurrar...

E surge de repente o meu amor
Que num imenso abraço me estreita!
Enchendo de calor o peito
o corpo todo se deleita...

Corpos juntinhos num ardente beijo,
A aurora brilha, rompe num desejo!

Momento mágico de ternura tanta,
Brincadeiras de água, risos e olhares...
O coração cheio quase que rebenta
Na esperança vã de regressares...

Ao deixar a ilha rumo a outro lugar,
Tudo se esvanece em grande amargura...
Esfumou-se o encanto, findou a ternura.

Ilha encantada
( Ilha de Moçambique )

29 novembro, 2005

O Cinema...e a Emoção!

Devíamos guardar as lágrimas quando, por razões muito fortes, as temos de derramar. Mas não é assim, muitas vezes choramos por tudo e por nada e, algumas dessas vezes, nos filmes...É embaraçoso! Toda a vida fui assim, é uma fraqueza, eu sei. Tão depressa rio como choro, a emoção está sempre à flor da pele!
Quando as minhas filhas eram pequenas, todos me gozavam quando corria algum filme mais triste na TV: - Ó meninas vão buscar o barco que nos afogamos....dizia o meu marido a rir....Ainda hoje se passa o mesmo, sem filhas....! No cinema, é um martírio para sair da sala, olhos vermelhos, a fungar à procura de lenço que não está naquela carteira....Em casa, mesmo a olhar para o pequeno écran ( já vos falo disto...) debulho-me em lágrimas, numa atitude parva e descontrolada...Que chatice!!!!!
Sou uma cinéfila ferrenha, repito, mas o pequeno écran para mim é um desconsolo! Também sempre foi muito pequeno, dada a falta de massas que durante muitos anos grassou lá por casa! Havia outras prioridades e o tamanho do écran das TV's que se compraram não aumentou muito!!!!! Há pouco tempo fomos obrigados a comprar novo televisor: este já tem um écran maior, mas a razão deste facto tem pura e simplesmente a ver com a falta de vista e a preguiça de pôr óculos....! Gosto das salas de cinema que, pelo seu diminuto tamanho actual, não se comparam às de outrora . Ah, as salas do Manuel Rodrigues, do Gil Vicente, do Scala...Essas sim! Gosto do momento em que as luzes se apagam e o filme começa...Fico completamente envolvida na trama, seja ela qual fôr, drama, aventura, acção ou comédia....! Depois, a música, a fotografia, tudo em king size! Não se pode comparar, não tem o mesmo impacto, nem guardamos as mesmas recordações das imagens que vimos e nos encantam.
Continuo a falar de cinema, desculpem-me...Estou a ser chata? Só mais desta vez....
É que tenho algumas coisas para dizer acerca de dois filmes que me fizeram chorar perdidamente nas cenas finais e isso acontece sempre que os vejo! Um deles é O Náufrago ( 2000), com o grande comediante Tom Hanks ( nomeado para o Oscar por essa mesma interpretação) e o outro já foi aqui falado, As Pontes de Madison County ( 1995), com a maravilhosa Meryl Streep ( também nomeada para o Oscar por esse papel). É interessante que em ambos os filmes, existe no final, o dilema, a escolha difícil, ficar ou partir com o Grande amor! E é aí, nessas cenas, na sensação de perda, de impotência, que alago a sala...!!!!
As fotos desses terríveis momentos de As Pontes de Madison County são estas:


No filme O Náufrago ( baseado numa história verídica) , quando o pobre homem volta passados quatro anos de completo isolamento e encontra a mulher casada, com uma filha, passa-se o mesmo: chove, estão dentro do Jeep e.. é aí que me desfaço...e preciso do tal barco!!!!!! A Helen Hunt tem neste filme um pequeno grande papel, está contida, linda! Muito talentosa, ainda gosto de rever com muito prazer e gargalhada a série da TV que a tornou famosa, Doido por Ti !



Partilhei convosco alguns momentos emocionantes para mim ligados ao cinema...Serão assim também para alguns de vós? Tinha piada!!!!
Como diz o Jorge Palma na sua canção:

Deixa-me rir
Essa história não é tua...
.............
Deixa-me rir
.............
Esse curioso alambique
Onde são destilados
Noite e dia o choro e o riso
.............
Pois é, pois é





28 novembro, 2005

O Fiel Jardineiro

Pensava ser um filme de romance, diversão etc.,que me faria passar um bom bocado. Quando as primeiras cenas passaram, sons e imagens familiares apareceram, estava perante um filme sobre África, que nada tinha de leve nem divertido! África sangrenta, dolorida, vítima de enormes interesses comerciais envolvendo empresas de farmacêuticos, levando a cabo testes em cobaias humanas, não importando se o resultado pudesse levar ao sacrifício de vítimas inocentes. Assassínios, corrupção, tortura, raptos de crianças, banditismo, crueldade máxima, violações perpretados em alguns países de África ( Quénia e Sudão).
Claro que ao recebemos imagens e notícias do que se passa em África, por intermédio da TV, jornais e revistas ficamos profundamente chocados. Mas acabamos por esquecer, passa-nos ao lado e continuamos a cultivar as nossas flores....
Lembrei-me do sonho do Manuel Palhares ( unir todas as comunidades virtuais de Moçambique, formar uma ONG e ajudar o povo moçambicano...)e senti-me muito frustrada quando saí da sala de cinema. O cinema é uma arte, uma fábrica de sonhos, mas é igualmente um instrumento para nos abrir os olhos, tocar o nosso coração, quando mostra o sofrimento dos povos nos dias de ontem e de hoje. Porque nos envolve de tal maneira que não esquecemos mais certas imagens para toda a vida! O Fiel Jardineiro, baseado no romance de John Le Carré e realizado pelo brasileiro José Meirelles é já considerado um dos melhores filmes deste ano; Ralph Fiennes, o grande actor de Paciente Inglês, está maravilhoso ! Não se vão arrepender ao verem este filme que retrata afinal a verdade nua e crua do sofrimento das gentes africanas.