04 julho, 2007

O Medo II


Fear - Oleg Yahnin



Tenho pensado muito no que o medo pode fazer às pessoas.
Isto, porque todos os dias olho caras, vejo gestos, oiço palavras que revelam medo.

O medo de ser considerado incompetente por sumária análise.
O medo de falar por causa da bufaria.
O medo do processo disciplinar por perda de compostura.
O medo de perder o emprego.

Ficam…

A revolta por perda de mais direitos.
O silêncio no dia a dia.
O sorriso fugidio ou inexistente.
As caras fechadas em rugas de preocupação.
A alma pesada de tristeza.
A falta de motivação para criar.
O desespero por perda de capacidades.

Suspira-se…

Por uma reforma antecipada.
Pela vontade louca de sair da prisão.
Pelo desejo de voar para longe.

E só se ouve:
- Quem me dera….



9 comentários:

Papoila disse...

Querida Girassol!
Gostei muito deste texto o dos teus pensamentos. A imagem como sempre fantástica! Deixo-te palavrasa de meu avô um homem da I República:
"À censura oficial junta-se sempre, espontaneamente uma outra mais grave criada pelo medo, auto - censura, que a todos os instantes recalca o pensamento, deformando o carácter. -- Um fim político a atingir, nunca pode justificar o uso de meios que possam, de qualquer forma apoucar a inteligência."
Beijos

Maria disse...

Querida Girassol

Eu tenho passado e saído porque não sei o que te dizer.
Mas hoje digo.
O medo está instalado, sim, os outros, os do antes, riem-se, este senhor que nos governa não tem classificação, nem o seu (des)governo.
O pior de tudo é que o tipo diz que é de esquerda, portanto deveria fazer exactamente o contrário.
Mas não. E ontem vi-me, estupefacta, a concordar o que disse o Manuel Monteiro na SIC Notícias.
Isto não é possível.
Isto não pode continuar. Não sei como, mas não pode continuar.
Senão, onde vamos parar?
Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril!

Beijinhos e toda a solidariedade.

C Valente disse...

O medo corrói, pode não se ver, mas sente-se, viver no medo é sufocante
Há muitos tipos de medo, no emprego, na rua, em casa.
A insegurança é um medo, mudar de emprego, de cidade, não altera nada, nós é que temos de vencer o Nosso medo, e tentar ser feliz
Saudações

Américo Ribeiro disse...

Viva amigo/a

Venho convida-lo/a a participar numa iniciativa que considero interessante, a de escrever um conto em conjunto com outros amigos/as, a autora - Paula Costa - já iniciou o conto, esperamos que ponham o Tico e o Teco a trabalhar e dêem seguimento á história, visitem o blog: http://contoaodesafio.blogspot.com/ e participem.
Os autores, Paula e Américo, agradecem.

Mocho Falante disse...

Minha querida excelente tema...e acredita que sei bem do que falas

beijocas doces...sem medos

:-)

Messala disse...

Minha querida Amiga Girassol de quem já tenho saudades - sabes qual é o maior medo de todos?
é o que nós já passámos,perder a terra onde nascemos e vivemos, perder a nossa casa,perder as nossas referencias, perder os bens que conquistámos com o nosso trabalho e por Xs o medo de perder a nossa vida ou a dos nossos familiares, amigos, conhecidos ... perder o passado e nada saber do que será o nosso futuro.
Quem perde tudo isto e sobrevive está pronto a recomeçar seja onde fôr e da forma que puder ser...
se eu pudesse aqui ilustrar o que afirmo ... escolheria "O GRITO" de Edvard Munch.
bjs

mixtu disse...

qunatas vezes se ouve: quem me dera...

abrazo europeu

VENDIË disse...

Gostei muito do seu texto!! O medo é mesmo uma coisa terrivel, temos de saber viver com nele, no equilibrio, nem demais, nem de menos. :)

Ana Patudos disse...

Estou , também eu e os meus colegas, a passar por tal situação e a dor é muito profunda e forte. Não sei se vou aguentar mais tempo assim...
è muito triste.
Dá-me vontade de largar tudo e ir lavar escadas, se calhar era mais feliz...
bjo
Ana Paula