27 abril, 2007

Por uma causa I...


Oito e meia da manhã, hora da partida de Aveiro.
Apenas sete funcionários entraram no confortável autocarro. Mais dois tinham desistido...
Desculpas e mais desculpas...
Medo, acima de tudo o medo!

À chegada a Coimbra, saímos para tomar um café e juntarmo-nos ao grupo.
Onde deviam entrar 22 funcionários apenas estavam 15....
Disseram-nos que o medo também grassava por aquelas bandas!
Dei de caras com a cozinheira, já retornada, agora nesta situação de mobilidade...
Já não a via há imenso tempo, foi um choque! Abracei-a e as lágrimas assomaram, teimosas.
Ela consolou-me, ainda por cima!

A viagem até Lisboa decorreu animada, piada daqui, alfinetada dali...
Mr. Bean no écran, para quem quisesse distrair-se.
Chegados a Lisboa, parámos em Belém e atacámos o farnel!

Partilhámos os petiscos, conversámos animados, á beira de um banco do jardim.
Uns estrangeiros abeiraram-se e quiseram provar também...
Barriguinha cheia fomos até à casa dos pastéis de Belém tomar um café.
Os pastéis nem os vi, pois estava a abarrotar de gente!!!!!!

Chegados a São Bento, preparámo-nos para a "manif"....
Bandeiras, cartazes, bonés, laços pretos e auto-colantes na lapela.
Subimos a Calçada da Estrela e parámos na Rua Borges Carneiro, onde a polícia nos mandou para uma distância de segurança de 300 m da residência do PM.
E assim fizémos, meninos obedientes...
Fomos os primeiros a chegar!



Depois veio Castelo Branco, Algarve, Alentejo, Lisboa, Porto....
E começou o Plenário, com alguns testemunhos e uma Resolução aprovada por todos e depois entregue ao PM... que não se encontrava por lá!!!!
Gritaram-se palavras de ordem, apitos soaram por todo o lado, palmas!!!!


E ali estou, bem ao meio da faixa, de t-shirt preta, a levantar a bandeira com outra funcionária.
Foi o meu baptismo da contestação em grupo.
Daqui em diante estarei presente sempre que se repetir um acontecimento como este.

Por considerar ser uma luta por uma causa mais que justa!

11 comentários:

aDesenhar disse...

comentário para este e o post anterior dada a ligação entre ambos.

estou solidário contigo colega FP
força e não desistam.

Adiccionem em último recurso a palavra INDEMNIZAÇÃO à vossa luta.

termino com um poema do Manuel Alegre
um deputado deste governo.

«Trova do Vento que Passa»

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

abraço colega FP

Era uma vez um Girassol disse...

.......
"Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não."

Obrigada, Adesenhar, pelo poema de Manuel Alegre!

Há sempre alguém...mesmo que sejam poucos....
Bjs

Maria disse...

E porque é que duas lágrimas rolaram, teimosas, quase até ao teclado?

Foi bonito esse teu "baptismo" de participação colectiva. A tua descrição lembrou-me um poema de Brecht que postei um dia destes...

Sabes que estive em Belém à hora do almoço? E que vi gente a petiscar? E que fui aos pastéis, por volta das duas da tarde, comprar pasteís para mandar para a Holanda?

Por isso senti o ar daquela zona, hoje, menos poluído. Estava cheio de "esperança e luta"...

Beijinhos, Amiga.
Foi bonito ver-vos na televisão.
A vossa e nossa luta continua!

Fuser disse...

Girassol

obrigada por visitar o Outono. sabes que gosto muito de ti. sabes.

vem sim pra ouvir uma música ....linda ...que marcou épocas e continua a embalar nossos momentos....vem ....vem dançar...

obrigada querida és bem vinda em todos os meus espaços

beijão

della-porther ( fuser)

sonhadora disse...

Uma noite de sonhos nas estrelas.
Beijinhos embrulhados em abraços

era uma vez um girassol disse...

Maria, vê lá, estivémos tão perto...
Sempre!
Bjs

era uma vez um girassol disse...

Della, agradeço as tuas doces palavras...
Existem laços virtuais, não é?
Bjs

Luis Eme disse...

Que boa reportagem da "viagem até S. Bento"...

Não podemos desistir, nunca, de lutar!

Margarida disse...

Vim ler a tua reportagem do dia 27 dia da manifestação a Lisboa.
Obrigada pela partilha e pelas fotos.
Só unidos é que vencemos
Estou solidária.
A paz, o pão, saúde, habitação...
bjs da guida

Miguel disse...

É reconfortante ver que no nosso País há muita gente que luta pelos seus direitos. Aqui na Bélgica apenas alguns têm a coragem de levantar a voz bem alto. Povo pacato demais pera o meu gosto, mas ao mesmo tempo simpático, prestável e amigo de ajudar depois de os conseguirmos tirar da sua carapaça.

Teresa Calcao disse...

I'm so proud of you,girassol!!!!!!!
Beijinho doce