26 janeiro, 2016

A nossa casa....


De malas na mão...


Partir e chegar...
Faz parte da minha vida...
Agora...
Mas é sempre muito difícil!

22 janeiro, 2016

Voltar a Macau 17

Sampana com pescadores (miniatura em mármore)

Quando da visita a uma das Marble Mountains (Vietname) para ver os templos budistas, pagodes e grutas, fiquei petrificada quando me apercebi da quantidade de degraus altos e escorregadios que tinha de subir....
Com os pés ainda não refeitos duma enorme queda dada há cerca de dois anos num castelo medieval em França, não me arrisco demasiado em subidas e descidas. 
Mas com a insistência e ajuda da minha filha lá fui subindo até ao primeiro templo....
Eles continuaram e desci por elevador, que afinal estava a funcionar.
Ao chegar ao jeep, entretive-me a ver os objectos de mármore duma das muitas tendinhas de artesanato no sopé da montanha. Acabei por escolher a miniatura da imagem acima, dum mármore de várias cores, muito bonita.
Entretanto recomeçou a chover e abriguei-me de pé num telheiro.
A dona da tendinha chamou-me: arranjou-me uma cadeira, colocou um jornal no assento e disse-me para me sentar junto dela. Estava a bordar um pano a meio ponto duma paisagem muito bonita e  conversámos (inglês) durante algum tempo. 
Perguntei-lhe se tinha leões chineses...
Combinámos o preço, comprei-os, de mármore branco.


Entretanto chegaram os meus companheiros de passeio, cansadinhos de andar monte acima e monte abaixo; o meu marido ainda mostrou desejo de comprar um Buda e assim aconteceu!


Admirei muito este gesto de gentileza... 
Apercebi-me como o povo vietnamita é simpático e delicado.
O trânsito é um verdadeiro caos...
Não existem prioridades...

T-shirt da Gingko com esta inscrição:
Vietnam traffic lights laws
Green - I can go
Yellow - I can go
Red - I still can go

Ouve-se toda a gente a buzinar, mas apenas para avisarem que estão ali!!!!! Não há gritos, nem zangas, conseguem entender-se naquela confusão....
Atravessar as ruas é um verdadeiro acto de coragem...
Mas gostei principalmente dos sorrisos..
Muitos sorrisos de olhos brilhantes.

19 janeiro, 2016

Voltar a Macau 16

Continuando a aventura no Vietname...



Depois subimos mais uma montanha por uma estrada "Hai Van Pass" que atravessa o país de norte a sul.No topo encontram-se bunkers do tempo dos franceses (1950) e dos americanos (1960)...


Atravessámos um túnel de 6 km, "Hai Van Tunnel" e percorremos estradas ladeadas por campos de arroz, entre as montanhas e o mar.


Búfalo de água

Com 3 pancadinhas certeiras, divide em ladrilhos a peça de xisto  

Metemos por aldeias onde vimos oficinas de "partir pedra", quase porta com porta, para obtenção de diversos tipos de ladrilhos e telhas de xisto. 
O nosso guia de vez em quando parava, distribuía chupa-chupas pelas crianças, que vinham a correr apanhá-los...
E chegámos ao fim deste dia muito movimentado e molhado, salvos e felizes, principalmente por mais uma vez juntos vivermos momentos algo emocionantes!

Voltar a Macau 15


Monkey Mountain ao lado de Da Nang

Rumámos depois para a Monkey Mountain, onde supostamente deveríamos ver macacos saltitando por lá...
Em vez disso, com tanta chuva, os macacos deviam estar a rir-se de nos ver naquela triste figura....tipo macacos pingados!!!!! 
Ainda vimos uma meia dúzia, muito fugidios e dos mais vulgares...
Nesta montanha existe uma espécie de macacos (langures), os douc-de-canelas-vermelhas, apenas uns 170 exemplares, que se encontram em extinção. 
Nem as vistas pudemos apreciar por causa do nevoeiro cerrado!!

Panorâmica do cimo da montanha (foto da net)

Voltámos a Da Nang onde almoçámos no restaurante preferido do nosso guia, uns crepes finissimos de arroz, recheados com legumes, carne, camarão, omeletas, ervinhas, molhos, que íamos escolhendo à nossa vontade....


Confecção das omeletas no restaurante

Gostámos, uma comidinha bem típica, leve e diferente, que aqueceu os nossos estômagos num intervalo desta pequena viagem!!!

Voltar a Macau 14

Seguiu-se uma visita a uma fabriqueta artesanal de construção de barcos de pesca redondos, típicos no Vietname.


Um senhor de 75 anos a rachar uma cana de bambú com uma catana para obtenção de tiras finas e flexíveis que depois de colocam ao sol a secar
Entrançado feito com as tiras de bambú
Aplicação de bosta de búfalo para impermeabilizar o barco
Barcos típicos de pesca redondos (foto da net)

E aqui está o modo como estes pescadores os conseguem manobrar.....
(da net)


Voltar a Macau 13

Aventura...
Desta vez a minha filha esmerou-se e organizou o impensável : um dia de passeio por vários locais interessantes de jeep perto de Da Nang...
Marble mountains, Monkey Mountain, Hai Van Pass.
Mas nunca imaginámos o que nos sucedeu...

Um jeep russo, de mil novecentos e troca o passo, completamente descapotável ( sem capota mesmo), guiado por um americano, em dia de bastante chuva....
Foi uma experiência rica, muito molhada, extremamente radical, divertida e diria mesmo inesquecível...!!!!!
Visita às Marble Mountains, com belos templos budistas e pagodes....








18 janeiro, 2016

Voltar a Macau 12

Dado o gosto que tenho em viajar, surgiu a possibilidade de dar um saltinho ao Vietname, sonho antigo ainda não realizado.
E depois das festas lá fomos, tempo mais calmo para os negócios dos filhos.
A viagem era curta, apenas 1 hora e 45 m, voo directo Macau-Da Nang (ou Danang), que fica na parte central, junto à costa, dirigindo-nos depois de carro para Hoi An, onde ficámos durante a nossa estadia.



Hoi An, património mundial da UNESCO, é uma cidade medieval, com cerca de 120000 habitantes, cujo nome significa “lugar de encontro pacífico”.
A cidade velha é linda, muito bem preservada, onde só circulam pessoas, bicicletas e riquexós. 
Percorrêmo-la todos os dias, encantados com as suas lojinhas, cafés e restaurantes, de paredes ocre e madeiras escuras, na sua maior parte decoradas com gosto.

 (Foto da net)

De noite tem uma luz especial, com as pequenas esplanadas repletas de turistas, saboreando as diversas iguarias locais ou simplesmente bebericando um café ou outra bebida.

(Foto da net)



Mas foi num resort junto ao mar que passámos também momentos muito agradáveis em família, bem relaxantes!


22 dezembro, 2015

Voltar a nascer...


O coração  é como a árvore - onde quiser volta a nascer.

(Adaptação de um provérbio moçambicano)
Em "O Fio das Missangas" - Mia Couto

18 dezembro, 2015

Agora....

The Releasing Of Sorrows-Paul Bond


Somos credores dos valores pelos quais sonhámos...
Temos o direito de ser felizes...
Acredito que podemos ter tudo aquilo a que temos direito
Agora...

17 dezembro, 2015

Voltar a Macau 11


Casa pintada com girassois - Macau ( net) 


com dedos charrua
escreverás o poema
com mãos de girassol
inventarás o poente
aos sulcos ressequidos
lançarás a semente

Alberto Estima de Oliveira

Natural de Lisboa, onde nasceu em 1934, Estima de Oliveira esteve quase toda a sua vida fora de Portugal, já que aos 23 anos, em 1957, partiu para Angola, onde permaneceu durante cerca de 18 anos. Ao fim de uma pausa de dois anos em Portugal seguiu de novo para África, desta vez para a Guiné-Bissau. Chegou a Macau entre 1982 e 2004 ano em que regressou a Portugal. Mesmo já com residência fixa em Lisboa, Estima de Oliveira visitava Macau pelo menos uma vez por ano, tendo estado na cidade pela última vez em Dezembro de 2007.


Dedicado à poesia desde muito novo, Estima de Oliveira publicou várias obras em Macau, como "Infraestruturas", em 1987, "Rosto", em 1990, "O corpo (con)sentido", em 1993, "Esqueleto do Tempo" em 1995, "O Sentir", em 1996, e "Diálogo do Silêncio", em 1988. 
Da sua vasta obra fazem ainda parte livros como Vector II, Vector III, Kuzuela III – 1.ª Antologia de Poesia Africana de Espressão Portuguesa e Tempo de Angústia (Angola, 1972). Algumas das suas obras foram traduzidas e publicadas em chinês. Foi agraciado pelo Governo de Macau com a Medalha de Mérito Cultural.

Voltar a Macau 10


16 dezembro, 2015

15 dezembro, 2015

Voltar a Macau 8

Macau antigo

Tens a alma cheia de ipomeas
E de acácias rubras
E de chagas de melancolia nos muros velhos

Teus longos braços novos de betão e vidro
Rompem a bruma matinal
Por sobre os restos da antiga beleza

Macau em Maio - Fernanda Dias

13 dezembro, 2015

Voltar a Macau 7

Sampana - George Chinnery -1834


Errante
          ando no porto
de um interior
          com sampanas
navegando
          silenciosas
figuras de porcelana

Jorge Arrimar 

12 dezembro, 2015

Voltar a Macau 6

Praia de Hac-Sá


12.
vou nas asas de um vento cego, de um vento matinal
que sopra do norte. nem os vendavais quebram o hábito
de voar, mesmo quando a luz do farol se apaga e nos guia
um sopro salgado que vem do mar. em Hac-Sá
as casuarinas secam de um silêncio novo. dos seus

troncos de madeira macia liberta-se um junco,
e são de promessas as suas velas.

Jorge Arrimar, Doze (Re)Cantos do Poema

Jorge Manuel de Abreu Arrimar nasceu em Chibia, Huíla (Angola), em 1953. Na década de 1970, criou com amigos o Grupo Cultural da Huíla (Grucuhuíla). Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Luanda, tendo concluído a licenciatura em História e especializando-se em Ciências Documentais. Foi professor de português em Açores, onde dirigiu, com Carlos Loureiro, um suplemento literário chamado Página Africana.  Publicou, entre outros títulos, Ovatylongo (1975), Poemas (1979, em parceria com Eduardo B. Pinto), 20 Poemas de Savana (1981), Murilaonde (1990), Fonte do Lilau (1990), Secretos Sinais (1992) e Confluências (1997, em parceria com Manuel Yao). Em 1985 radicou-se em Macau, onde ocupou o cargo de diretor da Biblioteca Nacional. É colaborador do Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro e prepara uma Antologia de Poetas de Macau em parceria com Yao Jingming.  Reside hoje em Portugal.

Voltar a Macau 5


Trilho da beira-mar de Hác-Sá


porque me deste vida,
uma outra vida, que não a vida que eu pensava
que era única,
e quebraste a dura noz da rotina
para dela saírem pássaros de fogo
voando céleres para o céu,
para a pura luz,
e todas as pétalas de uma primavera
nunca pressentida
caindo sobre a hora-agora
como sobre a rotundidade de um fruto,
o perfil de uma pequena ilha,
o brilho de uma gota de puro pranto,
de puro gozo,
[...]

Fernanda Dias, Contemplação além dos dias, Rio de Erhu, 1999

Fernanda Dias nasceu em Moura, Portugal, e é residente permanente de Macau desde 1986, onde lecionou no Liceu e, de 1999 a 2005, na Escola Portuguesa.  Durante uma década esteve ligada à Oficina de Gravura da Academia de Artes Visuais de Macau e participou de numerosas exposições internacionais, de gravura e pintura.  Livros Publicados: Gao Ge — Poemas (tradução) coleção Escritas de Macau, edição Instituto Português do Oriente, 2007.  Poemas de Uma Monografia de Macau, coleção Pavilhão do Insólito, edição COD, Macau, 2004. Chá Verde, poesia, edição Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, 2002. Rio de Erhu, poesia, edição Fábrica de Livros, Macau, 1999. Dias da Prosperidade, contos, edição Instituto Cultural de Macau / Instituto Português de Oriente, 1998. Horas de Papel, poesia, edição Livros do Oriente, Macau Poesia, 1992.

Voltar a Macau 4


Nestas águas poluídas pescar o quê? 
Mas não desistem..
Paciência de chinês...

10 dezembro, 2015

Voltar a Macau 3

José dos Santos Ferreira - Adé 

Cidádi di Nómi Sánto / Cidade de Nome Santo

poesia de José dos Santos Ferreira (Adé)

1 – Nôsso Macau, nómi sánto, / Nossa Macau de nome santo
Vosôtro olá! / Vede, vede todos bem
Qui ramendá unga jardim; / parece um jardim
Fula fresco na tudo cánto / Por todos os cantos flores frescas
Sã pa ispantá. / É de pasmar
Sai semeado, nom têm fim. / Saem plantadas sem fim

 2 – Gente di Macau, na passado, / Gente de Macau, no passado
Co tánto lágri já regá / Com lágrimas amargas regou
Su fula cheroso; abençoado, / Suas perfumadas flores, abençoadas
Qui Dios já ajudá semeá. / Que Deus ajudou a plantar
Na mundo assi transtornado. / Num mundo tão perturbado
Sã fazê triste coraçám / É de entristecer corações
Olá gente faltá cuidado, / Ver gente descuidada
Dessá fula muchá na chám. / Deixá-las murchar no chão

 3 – Macau, masquí chám pequinino, / Macau, embora torrão pequeno
Vosôtro pôde crê. / Podeis todos crer
Sã unga grándi casa cristám. / É uma grande casa cristã
Alumiado pa luz divino, / Iluminada por luz divina
Inchido di fé, / Cheia de fé
Co amor na coraçám. / Com amor no coração

 4 – Fé co amor juntado / Fé cristã e amor juntos
Sã ancuza qui Dios más querê, / São sentimentos que mais agradam a Deus
Macau quirido, abençoado, / Macau querida, abençoada
Ne-bom, ne-bom disparecê! / Não pereças, não!
Vôs têm nga obra começado, / Tens uma obra começada
Qui mundo cristám conhecê, / Que o mundo cristão conhece
Cidádi di nómi sagrado, / Cidade de nome sagrado
Vôs nom-pode disparecê! / Tu não podes perecer


(Poema em patuá, dialecto de Macau)

09 dezembro, 2015

Voltar a Macau 2



...
Ponho o negrume da rosa sobre a mesa
bebo o teu olhar e o chá. E espero
Espero que me digas o que fomos
que antiga fraternidade é esta
que tenaz e sôfrega nos une.
...

Fernanda Dias, O Chá, Horas de Papel,1992.

06 dezembro, 2015

Românticas 13


Voltar a Macau 1

Praia de Hac Sa, Coloane, Macau

E já lá vão 3 anos...
Voltar é sempre um gosto enorme...
Pela família aqui residente já há 16 anos, pelo seu ambiente cosmopolita, pelas memórias passadas, por revisitar lugares deixados pelos portugueses que continuam respeitosamente belos e conservados.
Porque para mim continua a ter magia.