15 janeiro, 2006

Jazz




It cost me a lot
But there's one thing that I've got
It's my man
It's my man

Cold or wet
Tired, you bet
All of this I'll soon forget
With my man

He's not much on looks
He's no hero out of books
But I love him
Yes, I love him

Two or three girls
Has he
That he likes as well as me
But I love him

I don't know why I should
He isn't true
He beats me, too
What can I do?

Oh, my man, I love him so
He'll never know
All my life is just a spare
But I don't care
When he takes me in his arms
The world is bright
All right

What's the difference if I say
I'll go away
When I know I'll come back
On my knees someday
For whatever my man is
I'm his forevermore

My Man - Channing Pollock/Maurice Yvain / Albert Willemetz/Jaques Charles

Girassóis


Era uma vez um girassol - Por Tina Noronha Marques


Flores de máscula beleza

Natureza meio rústica,
no colorido comum
da corola áspera
e desperfumada.
Noutra flor,
tantos marrons
agradariam?
Fortes
e desajeitados
inspiram poética simpatia.
Sempre abertos
às abelhas que os beijam
ou aos pássaros
que os saqueiam,
resistem,
com heroísmo modesto
e ingenuidade sadia.
São, para mim...
os Forrest Gump
da flora...

Girassóis - Edna Feitosa


Gostava de colocar este trabalho da Tina como cabeçalho...
Help!
Obrigada, minha amiga, fico à espera do teu blog!

Gatos


A gata Lili 

O gato é secreto.
Tece com calma o mistério do mundo.
O gato é eléctrico.
Pura energia a percorrer a espinha.

O gato é orgulho.
Sem humildade, jamais se entrega.

O gato é desejo.
Atracção pela lua e telhados.

O gato é sagrado.
Olho no olho que brilha.

Um susto.
Parece que vemos Deus.


Donizete Galvão, O Gato

Ginja

Com elas ou sem elas. Prefiro sem elas, já que não gosto de fruta...
A melhor ginjinha é a de Alcobaça, sem dúvida.

A minha amiga Tina deu-me uma linda garrafa no Natal do ano passado, alusiva à época festiva. Pûs-lhe umas asinhas...Voou que foi um repente! Para isso, o Inverno frio e as visitas da tia Alice ajudaram bastante! As duas, lado a lado no sofá, cavaqueando à lareira e saboreando a doce ginjinha, enquanto o pescador dormitava...
O Inverno ainda vai durar muito, há que comprar nova garrafa: para mim, para a tia Alice e para os amigos!
Querem uma ginjinha?

14 janeiro, 2006

Fazer amor


Por pudor, somente por pudor.
Que não a inscrevi na listagem de GOSTO DE..., resultado de um pequeno brain storming, depois colocada por ordem alfabética. Mas ainda vou a tempo, antes de saltar para a ginginha, que gosto muito , mas não tanto!
Não gosto do termo FAZER AMOR, tradução à letra de MAKE LOVE...Será que
nós, portugueses tão criativos e inventivos para tudo, não encontraríamos outro termo para significar algo tão belo? Até porque o Amor não se faz, vive-se, dá-se, recebe-se, troca-se, acontece, sei lá....
Sou da Geração de 60, que além de algumas coisas más como as drogas, trouxe ao mundo inteiro este slogan inesquecível:




Era muito cedo. Sonhava, quando acordei ao som do meu próprio ressonar, resultado de uma leve constipação. ( desculpas...) Perguntei ensonada, desnecessariamente:
- Estava a ressonar?
- Estavas...
- Que horror, porque não me acordaste?
- Parecia a canção das baleias...
O pescador, até na cama, pensa que está em mar alto. Mas tem a noção da realidade: a canção não é a da sereia...
Rimos juntos.
Depois...Ah, depois....


Pena o slogan não ser seguido até ao fim deste nosso mundo!

13 janeiro, 2006

Frangipani




Quem resiste a tamanha beleza? Eu não!

Florbela


Florbela Espanca - Francisco Simões
Parque dos Poetas - Oeiras
Foto tirada por Gin e Tónico


Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias?Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz,ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Vozes do Mar - Florbela Espanca

Estar enamorada



Lovers - Marc Chagall


Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar

Eu sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor,
eu não sou nínguem

Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus

Teus braços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou nínguem
Sem você meu amor, eu não sou nínguem


Samba Em Prelúdio

Vinicius de Moraes / Baden Powell

Dançar sozinha

Cutileiro


Cutileiro e uma das suas esculturas

Grupo escultórico - João Cutileiro

João Cutileiro é O ESCULTOR, amado ou odiado. Mudou definitivamente a forma de esculpir, dando-lhe alma e sentir.
Não gosto de todas as suas esculturas, mas têm a minha admiração aquelas em que acaricia o mármore de tonalidades diversas e lhes transmite o seu intenso amor pelas mulheres. Mulheres de forma belas, esguias ou redondas, de cabelos couraçados ou feitos rede de pedrinhas, de um erotismo brando, nada agressivo. Dorsos que completamos na imaginação, a nosso bel-prazer. Outras, guerreiras, que não me interessam tanto.
Mas ficará sempre, na Escultura, como um inovador de grande criatividade.

Cinema

Difícil falar de cinema em poucas palavras. 
Mais difícil ainda escolher um filme preferido. 
Escolhi, então continuar com o tema anterior...no cinema:
 

Chocolate ...
Lembram-se?

Chocolate preto

Uma roda gigante de sensações, de sabores...
Palavras para quê?


12 janeiro, 2006

Chá de Jasmim



Bamboo Tea Room I

Krista Sewell

"Sento-me, acompanhado por um par de nórdicas por demais vistosas e outros companheiros de ocasião, numa das famosas casas de chá de Chengdu, província de Sichuan. À nossa volta, dezenas de mesas repletas de gente com ar sereno, conversando e bebendo chá, sob a frescura de uma sombra proporcionada por enormes árvores de aparência centenária. Novos e velhos, maioritariamente chineses, partilhando xícaras de chá de jasmim sem fundo aparente, calma e prolongadamente, durante algum tempo, meia tarde, muito tempo, toda a tarde."

Excerto de Chá de Jasmim e Palhetadas, Rumo a Kunming - Filipe Morato Gomes (Alma de Viajante)

Caril de Camarão




Melhor que vê-lo...é comê-lo!!!!!

Cantar



Bella's -Leifi

Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
teu sorriso puro,
a tua graça animal.

Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.

Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
ao vê-los nus e suados.

Intérprete: Fausto
Música: Fausto; A. P. Braga
Letra: Eugénio de Andrade

Baloiçar na rede

Pemba - Moçambique

Embalar os pensamentos,
com sonoridades
novas e velhas,
recordações antigas e recentes,
alegrias e tristezas,
planos sem número,
e no meu colo, a Sissi,
a gata branca, que se
assenhoreou do lugar,
que comigo
dormita, ao lusco-fusco...

Andar à chuva


Walking in the rain - Rui Palha

Vésperas de Natal, últimas compras, o que para nós, mãe e filha, era divertidissimo! Vínhamos carregadas de sacos, a descer a Av. Lourenço Peixinho, quando caiu uma chuvada de criar bicho! Apanhámos uma molha fenomenal, sem guarda-chuvas, abrigando-nos aqui e ali quando era possível...

Quando finalmente chegámos ao carro, que estava estacionado perto do Governo Civil, abri a carteira para procurar as chaves....A chuva caía impiedosamente e as voltas na carteira sucediam-se, à cata das malvadas que não apareciam...
A minha filha, vendo a minha azáfama, virou-se para mim com o seu ar sereno: - Ò mãezinha, tu tem calma, não te apresses, temos todo o tempo..! 
Desatámos as duas a rir às gargalhadas... 
Já nem sentíamos a chuva, que continuava a cair, molhando os sacos das compras...

11 janeiro, 2006

Acordar tarde

Sleeping woman - Tamara Lempicka

Já não é pecado. Felizmente o pecado já não mora aqui.
Sou livre para dormir, sem ouvir piadas, recriminações! Finalmente...

Já lá vai o tempo, que era tempo de: 

- Dormes muito, isso faz-te mal...Dormes tanto, mulher....Já são x horas, não te levantas?
Raio, há gente que madruga...Têm na cabeça aquela música: deitar cedo e cedo erguer...

Ainda não sou completamente livre para dormir até que me doa o corpo...
 
Será que daqui a sete anos, quando puder, me apetecerá?

Acácias vermelhas



E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!

Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou
a Irmã-Mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto...

A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul...
A do dendém
nascendo dos abraços das palmeiras...

A do sol bom, mordendo
o chão das Ingombotas...
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas...

Sim! ainda sou a mesma.
A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11!...Rua 11!...)
pelos meninos
de barriga inchada e olhos fundos...

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu
e corpo musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias...

E eu revendo ainda, e sempre, nela
aquela
longa história inconsequente...

minha terra...
minha, eternamente...

Terra das acácias, dos dongos,
dos cólios baloiçando, mansamente...
Terra!
Ainda sou a mesma.

ainda sou a que num canto novo
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu povo!

Presença Africana - Alda Lara ( Poemas, Sá da Bandeira 1966)

Abraços

The Embrace - Gustav Klimt

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.
Urgentemente - Eugénio de Andrade

Poupar? Sim...menos nos beijos e abraços!

10 janeiro, 2006

Gosto de ....

The Flower - Henri Matisse


abraços

acácias vermelhas
acordar tarde
andar à chuva
baloiçar na rede
cantar
caril de camarão
chá de jasmim
chocolate preto
cinema
Cutileiro
dançar sozinha
estar enamorada
fazer amor
Florbela
frangipani
gatos
ginja
girassóis

inovar
Jacinta
jazz
juntar os amigos
luar
Matisse
mochos
nadar em águas quentes
Natal em família
olhar o mar
panquecas com chantilly
Pessoa
pôr-do-sol
Rodin
ser
ser livre

sonhar acordada
tomar o pequeno-almoço na cama
trouxas de ovos
um doce olhar
Van Gogh
viajar
viajar na net
Vinicius
......
......



É assim que adormeço...

Sleeping model - Henri Matisse

É assim que adormeço...por isso tenho rugas no colo do peito...

Um blog porquê?

Nú com jarros - Diogo Rivera

A razão porque fiz este blog é complexa. Pertencendo há alguns anos a um determinado grupo na web, acabei por sentir que me estava por vezes a expor demasiado...Chegaram mesmo a dizer-me, gente mais cautelosa, que só lá ia cuscar mas nada escrevia....Alguns assuntos acabavam por não interessar aos outros e pensei que gostaria de ter um espaço onde pudesse escrever algo que sentia, de maneira livre, sem amarras. Emoções feitas palavras, sentimentos feitos imagens, sorrisos feitos música. Precisava de dar largas à minha timidez, sentia-me prisioneira, não me chegava. Claro que preferia que fosse mais um forum, onde as opiniões sobre este ou aquele assunto se debatessem largamente para esclarecer ideias, para informar e ter feedback.
Os blogues são espaços de livre pensamento, onde se pode voar ao sabor do vento, com o ritmo e a toada que se quiser. Às vezes são quase secretos, refúgios de lamentos, de amores perdidos. Outros, de discussão de temas políticos, crítica mordaz, raiva contida e depois libertada...Depois há olhares pela câmara, originais ou emprestados, imagens belíssimas...Jogos de palavras, poesia, prosa, frases curtas ricas de significado.
Para mim conhecer este mundo foi um mundo e continua a ser. Estou constantemente a deslumbrar-me com a força, o vigor, a beleza, a ternura da palavra escrita.
Porque é disso que se trata nestes espaços primordialmente: transformar as emoções em palavras e procurar a paz.

09 janeiro, 2006

As "brancas"


Não, não são as brancas, também chamadas ausências. Isto ficará para uma outra vez. Quero referir-me aos cabelos brancos, aqueles que, usados com distinção, acreditados, nos dão um certo ar respeitador...Era o que se dizia antigamente! As mulheres de hoje, depois dos quarenta anos, já têm os cabelos manchados de várias cores e tonalidades, desde o preto asa-de-corvo, passando pelo vermelho romã, laranja-cenoura até ao loiro loirinho-sol...Atenção, não estou a criticar, estou apenas a constatar factos. Querem parecer mais novas, ficar mais leves...Estão no seu direito de se quererem ver mais bonitas, de não quererem ver as rugas e as marcas do tempo a condizer com as malfadadas .... Tive a sorte de quase não ter cabelos brancos até aos quarenta e tal anos...E mesmo hoje, com quase sessenta, estão semeados pela cabeça de tal modo que parecem aquelas madeixazitas que põem as mulheres todas iguais. Tenho sido uma resistente, principalmente na cabeleireira.... Não, eu não vou pintar o cabelo por duas razões: não tenho pachorra para cabeleireiro...e tenho muito orgulho nas minhas brancas! São a prova concreta do tempo que vivi, das chatices que tive, mas também das horas e horas de sensações fantásticas passadas com a família e os amigos. Como poderia apagar esta marca de estimação?

Problemas de mulheres ...e não só

Nos dois meses que aguardei a operação no IPO, todos se admiravam da minha disposição! Os primeiros três dias foram de choque...Depois, levantei a cabeça, enchi-me de força e preparei-me para o que viesse. Não podia vacilar, senão a família chegada caíria numa grande tristeza. Vi os olhares aflitos das minhas filhas, olhei o silêncio angustiado do Fernando. Então voltei ao que era, alegre, brejeira, sempre sorridente! Valeram as garrafadas de xarope do cacto que a boa da tia Alice me trazia directamente do Convento de Franciscanos em Benfica...Aquela mistela tinha whisky e não era nada má de beber! Se ela acreditava que me ia fazer bem, porque não tomar? Valeu-me igualmente a esperança que sempre tive que, de qualquer maneira, Deus me ajudaria. A Fé, sempre a Fé que nunca abandonou o meu coração.
Nestas alturas de aflição, recorremos a tudo: a angústia maior é a de podermos deixar a nossa missão incompleta, como a minha mãe tinha deixado a dela: de não acabar de criar os nossos filhos, de não chegar a ver os nossos netos.

Quando finalmente entrei num quarto do IPO, estavam lá cinco mulheres : duas saíam nessa tarde, ficavam ainda três. O ambiente do hospital estava super aquecido, quase faltava o ar. Sempre com a minha boa disposição, sentei-me numa cadeira e todas elas, excepto uma que não podia levantar-se, me rodearam fazendo perguntas para saber quem eu era. Admiradas com a minha idade, parecia muito mais nova, diziam elas...O ambiente tornou-se de tal maneira agradável, que uma delas disse: - Agora que isto está bom é que me vou embora!!!! Depois, trataram-me carinhosamente por Bélinha...Uma delas era da Figueira da Foz e a outra de Aveiro; foram para mim como mães!
Tenho de prestar aqui o meu grande elogio aos médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar do IPO de Coimbra, que nos tratam com todo o carinho e desvelo. Quente é o ar, mas também muito calorosos são os corações daqueles que convivem todos os dias com dezenas de mulheres que entram para aquela unidade hospitalar inteiras e saiem de lá mutiladas...
BEM HAJAM!

08 janeiro, 2006

Entardecer...

É o entardecer da Vida, eu sei...Mas estou a tirar dele um imenso gozo! Já vivi muito, bem e mal, mas continuo cheia de motivação para o que der e vier mais. Porque fui sempre assim, tal como a Gabriela, a do cravo e canela. Os anos passam e encho-me de planos: no trabalho, na família , com os amigos. Nunca deixo de os fazer, com medo de parar e ... Mas sempre foi, do dia, do entardecer o que mais amei. E ainda amo. Como se estivesse em África, frente aos deslumbrantes pôr-de-sóis...


07 janeiro, 2006

Obrigada mais uma vez, Vida de Papel!



O Girassol estava com sérios problemas, ou seja o blog...
Pedi socorro...e já está de perfeita saúde!
Uffff...que susto!


Coragem

De regresso de Coimbra, vínhamos caladas.
A minha filha rompeu o silêncio:
- Ai, mãezinha, quando o médico te deu a notícia, que te iam operar, senti as pernas a fraquejar, ia caindo redonda no chão...
Acredito, para mim também foi um choque! Ao entrar num dos gabinetes do IPO de Coimbra, vi logo que a coisa era séria. Depois de muitos exames, veio o veredicto: ia para a operação, podia ficar sem o peito, já
que todos os exames tinham sido inconclusivos. Para me dizerem isto estavam dois médicos sentados à minha direita, um à frente e uma assistente social que me tinha acompanhado até ali, atrás de mim...Não fosse dar-me o fanico! 
Nessa noite não dormi no quarto, por me sentir enclausurada. Dormi no sofá da sala, o pescador dormiu no chão, mãos agarradas toda a noite. E um choro de mansinho. Não pensei : - Porque raio me acontecia aquilo a mim?...
Pelo contrário, agradeci a Deus ter poupado as minhas duas filhas.


Coragem não se compra, só se tem
Ao ser exigido algo de nós;
Coragem é-nos dada por Alguém
Se pede com fervor ao estarmos sós!

O coração estremece, as pernas tremem
De suores banhada, de calores,
Mas graças a Ele desaparecem,
Esvaem-se todos os temores...

Tua Mão não quero mais perder
Agarrada à minha eternamente,
Qual criança aflita agarra a saia
De sua mãe, chorando docemente...

06 janeiro, 2006

Que corra em nós como um rio



Já muito se tem escrito

Sobre a Vida e, no entanto,

Pouco sabemos sobre ela…

Será alegria ou pranto?

Gota a gota, dia a dia,

Podemos saborear

Seu gosto tão agridoce

Que nos leva a hesitar…

Mas quando, por um acaso,

Está apenas por um fio,

Desejamos estreitá-la,

Que corra em nós como um rio…


Terá sido milagre? Eu acredito....
Para mim, existe a vida antes e depois do que aconteceu.
E nada tem a ver uma com a outra.


...e pudesse riscar os céus da China


Da janela da sala via-se, destacada no maciço verde no alto de Coloane, a estátua imponente da Deusa A-Má, a protectora dos pescadores. Em mármore branco, brilhava ao sol. À noite estava iluminada, soberba. Andei pelos templos, tinha a ideia que iria ser uma experiência enriquecedora, espiritualmente. Mas não foi. Antes, foi uma completa desilusão, porque não senti nada. Mas ainda assim, as deusas inspiraram-me e saíu isto...



Se na minha vassoura eu voasse
E pudesse riscar os céus da China,
lançaria fogo de mil cores,
chamaria as deusas em surdina...

A-Má, menina pobre, recusada
sua passagem de junco até Cantão,
Como deusa aparecida em Macau,
Aos pescadores protege e dá o pão!

E decerto chamaria Kun Iam,
para quem dela mais aflito precisasse...
E encheria os céus da China de arco-íris,
se na minha vassoura eu voasse...!!!