24 maio, 2006

Regresso ao passado I

Um dos pavilhões da Automobilia em Aveiro

Domingo passado, realizou-se aqui em Aveiro, mais uma Automobilia, feira de compra e venda de carros antigos e acessórios, durante dois dias, muito concorrida e eu fui lá dar uma espreitadela...
Confesso que gosto de carros, principalmente dos que me trazem saudades...
As velhas máquinas dos anos 50 e 60!!!!
E aqui vai uma pequena reportagem....Será que vos diz alguma coisa?????


MGA
Miniaturas, os que podemos adquirir e manter....
Harley-Davidson, a rainha....
Uma linha de Vespas....
Mota BMW com sidecar
2 Mercedes, em bom e mau estado....
Triumph TR4
Fiat 124 Sport ( o que eu queria....)
Fiat 124 ( igual ao meu , azul claro...)
VW cabriolet transformado
Skoda verdinho...
Mercedes 230 SL
Citroen 2cv e "Boca de Sapo"
Daimler descapotável, mais velhinho...mas belíssimo!
Tenho mais fotos...Ficam para a próxima!
E acreditem, não vim de lá de mãos a abanar!!!!

23 maio, 2006

Tchim...Tchim!!!!!!

É hoje!

Convido-vos para a minha festa, com bolo, champanhe, música e sorrisos...





E já são cinquenta e oito,

de trabalhos e amores...

uma vida muito cheia,

e até uns dissabores!

O saldo é bem positivo,

e "a netos já chegou"...

Mas que mais pode pedir,

s'inda agora viajou????

O problema são os euros,

já começou a poupar...

A reserva já está feita,

Em Dezembro vai voltar....!!!!!

Mas ao apagar as velas,

quando ouvir todos cantar,

faltará uma voz doce,

a dizer sem se enganar:

Happy Birthday to You

Happy Birthday to You

Beijinhos da Girassol

20 maio, 2006

Ecos de Macau VI



Macau antigo - aguarela


Podem-nos quebrar as estátuas
Mas pior…
É fingirmos que não as conhecemos
Podem-nos tratar com soberba
Mas pior…
É olharmos para o chão envergonhados
Podem-nos tratar como vencedores
Mas pior…
É abandonarmos os que confiam em nós

A Face, O Pescador de Margem – Fernando Sales Lopes

Capa de O Pescador de Margem
Ilustração de José Rodrigues


Fernando Sales Lopes é licenciado em História, mestre em Relações Interculturais, e jornalista profissional. Nasceu no Barreiro e reside em Macau desde 1986.
Em Portugal desenvolveu a sua actividade profissional na imprensa escrita, rádio e televisão. Foi chefe de redacção da Rádio Comercial, e director da RDP-Sul e da Rádio Algarve por si criada. Em Macau foi director de programas de rádio e televisão da Teledifusão de Macau (TDM), sub-director do Gabinete de Comunicação Social (GCS), director-executivo da Revista Macau (I série), analista de imprensa e coordenador de diversas edições.
Publicou, em 1997, o livro de poemas Pescador de Margem (ed. Livros do Oriente, Macau,1997) galardoado com o Prémio Camilo Pessanha 1996/97, do IPOR. Autor, entre outros, do poema Flor de Lótus, letra do hino de encerramento da Sessão Cultural da Transferência de Administração de Macau para a China (1999); do livro de poemas Não-Ser, edição restrita especial elaborada por ocasião do Colóquio Homenagem a Luís de Camões - Poeta Universal (1999); do libreto do disco de Rão Kyao, Junção (ed. ICM, Macau,1999, e ed. ICM/Farol, Lisboa, 1999); de poesia dispersa; representado nas antologias da Revista Anto (n.5, Primavera, 1999, Amarante, 1999) e em De Longe à China (ed. Instituto Cultural da RAEM, 2000); e co-autor do livro Zeca Sempre, edição integrada nas comemorações do 10.º aniversário do desaparecimento de Zeca Afonso, Macau, Fevereiro de 1997.

19 maio, 2006

Ecos de Macau V

É fácil descrever uma terra com tanta história, onde se cruzam duas culturas, a portuguesa e a chinesa, dum modo respeitador e amistoso. Belíssimo exemplo de coexistência de povos diferentes, sem agressão, nem prepotências.
Ontem descobri, por acaso, ou talvez não, um jovem blog,
Um Olhar sobre Macau, de Hélio Loureiro.
Descubram-no também: tem lindíssimas fotos do autor e a história de Macau contada com precisão, indicando as fontes, com links para
um melhor esclarecimento dos personagens e locais envolvidos.
A minha descrição daquela terra é muito mais pessoal, vista com os olhos do coração, baseada en sentimentos e emoções que os lugares me provocam...
Hélio Loureiro merece uma visita ! Para os amantes de História o seu blog contém informações preciosas que enriquecem o nosso saber...E nunca é demais aprender...
Vejam:

Porta do Entendimento


Fotografia: Hélio Loureiro

"Este monumento estreou-se em 1993, situada na zona do Porto Interior, esta estrutura de 40 metros de altura simboliza as relações amigáveis e de entendimento entre China e Portugal. "

18 maio, 2006

Ecos de Macau IV

Fonte - Choi Su Weng

Procura o signo da água
na força que há no vento
pôe na alma o fogo
que desfaz a mágoa
que gera o alento


Se a vida é um jogo
não faças dela
obra acabada
Com tuas mãos recria
o fulgor do dia
e em cada iris
acende uma vela
sempre que vires
amordaçada
alguma lágrima


Fong-soi - António Correia
Antologia dos Poetas de Macau

Ecos de Macau III

Clube Militar de Macau


Na última noite que passámos em Macau, fomos convidados para jantar no Clube Militar pelos nossos amigos, colegas de Moçambique e agora família, já que são os “verdadeiros avós” da minha neta, por se encontrarem junto dela, completamente babados… O meu coração está eternamente agradecido por esse amor dedicado à minha pequenita.

Ao fundo o Hotel Casino Lisboa

O Clube Militar de Macau, fundado em 1870, com o nome de Grémio Militar, é um edifício belíssimo, com história, muito bem conservado, que recebeu as seguintes honras:
- Membro Honorário da Ordem Civil do Mérito
- Membro Honorário da ordem do Infante D. Henrique
- Condecorado com a Medalha de Mérito Cultural

“Durante a Guerra do Pacífico (1941-1945) o edifício da sede do Grémio Militar foi requisitada pelo Governo para albergar refugiados de Hong Kong. O rico mobiliário e biblioteca foram guardados no armazém das Obras Públicas no Bairro 28 de Maio. No entanto, o longo período da Guerra, a rotação do pessoal militar, fizeram arrefecer o espírito associativo e, que o mobiliário, quer a biblioteca se perderam por completo. E, no fim da Guerra, o Governo instalou na sede do Grémio a Repartição da Fazenda.Construído e inaugurado o Palácio das Repartições, o edifício do velho Grémio foi devolvido aos sócios em 1951.”

Sala Stanley Ho


Restaurante


Pub


Foi um jantar animado, bem servido, ricamente apreciado!
Sabia que no dia seguinte partiria para a velha Europa, mas naquele momento só queria aproveitar ao máximo a companhia de familiares e amigos, em ambiente que me recordou tempos africanos, de risos e viveres descontraídos e felizes.

(imagens tiradas da net)

16 maio, 2006

Ecos de Macau II

Numa das noites quentes a ameaçar chuva, resolvemos visitar a Doca dos Pescadores (Fisherman's Wharf).


É uma nova atracção turística que abriu parcialmente no dia 31 de Dezembro 2005, combinando num só espaço de lazer, comércio, gastronomia, hotelaria, marina e infra-estruturas para acolher eventos. Trata-se da primeira atracção temática de entretenimento na indústria do turismo de Macau, situando-se no no centro do porto exterior de Macau, a cinco minutos a pé do Terminal de Jet Foil e ocupará uma área de 93,000m², quando estiver concluída.
Está dividida em três grandes secções temáticas:

- Dynasty Wharf, réplica das construções da Dinastia Tang, que inclui uma área comercial.
- East Meets West, secção de entretenimento para crianças e infra-estruturas para organização de eventos
- Legend Wharf, com uma colecção arquitectónica de estilo Europeu e Latino, com restaurantes e lojas em edifícios de traça espanhola, portuguesa, holandesa ou de Nova Orleans.

Portalegre

Campo Maior
Évora
Riviera italiana
Forte de Aladino
Louisiana
New Orleans

Miami
Vulcão , o mais horrível....

Cape Town

Amesterdão
À noite, tem a sua piada deambular pelas ruas, passeando descontraídamente e até jantar ou petiscar num dos restaurantes e churraqueiras ao ar livre. O restaurante português, além do preço proibitivo, não nos entusiasmou...!!!!
Não podia deixar de mostrar esta obra que levou 5 anos a construir e ainda não está terminada.
De dia é visitada por imensas excursões; de noite não tem muito movimento, tornando-se um local bastante sossegado e agradável para percorrer, ao mesmo tempo que se pratica algum exercício....!
(imagens tiradas da net)

Ecos de Macau I


É como um eco...
Ainda não desliguei daquela terra, continuo a pensar na sua riqueza cultural e quero partilhá-la. Ficarei ainda algum tempo neste maravilhoso limbo, cá e lá...
Espero não vos maçar...



Ainda não tinha falado de pintura e escolhi novamente Fernanda Dias, pintora portuguesa, residente em Macau desde 1986. Começou a sua carreira como gravurista, tendo paralelamente publicado poemas e contos. Expôs os seus trabalhos principalmente no Oriente, Macau, Taiwan e Hong Kong são bons exemplos.



Escreveu:


Pintar em Macau


Cheguei a Macau em 1986, e desde o primeiro momento a cidade me seduziu.Nas paredes dos velhos bairros estavam escritas histórias dos tempos idos, sobrepostas como camadas de uma pintura cuja cor e textura espantavam pela beleza plástica.Por outro lado, a arte moderna teve sempre em Macau intérpretes admiráveis, cuja actividade muito tem contribuido para o prestígio da nossa cidade nos meios culturais da Asia e da Europa. Sem citar nomes, de todos conhecidos, que tornariam extensa esta breve nota, devo dizer o convívio e a amizade desses artistas, sem distinção de origem ou nacionalidade, me tem encorajado a prosseguir o meu trabalho como pintora, depois de cerca de dez anos dedicados à gravura.O tempo da pintura são as horas roubadas ao lazer, pois antes de mais , considero-me professora, e a essa tarefa me dedico prioritariamente. A pintura, tal como a poesia, faz parte do meu modo de expressão, como se se tratasse de um diário de cores e imagens...


Fernanda Dias
Macau, 19 de Junho de 2003


volta amor, o natal passou,
já guardei os anjos na gaveta.
e o crespúsculo,
cada dia mais longo
ostenta um pomo de oiro
redondo como um seio de fogo
sobre o monte da Penha.

já é tempo, regressa.
está tudo como dantes,
mas cada pé de orquídea
esconde um gomo novo.
promessa de uma flor.

os anjos na gaveta, Chá Verde - Fernanda Dias


(Quadros de Fernanda Dias e texto tirados da net)

15 maio, 2006

Até à vista, Macau!



Desta vez não chorei...
Apenas umas lágrimas teimosas, quando viajava no “TurboJET Sea Express” (jetfoil) de Macau para Hong Kong, ao ver a cidade afastar-se no horizonte, na sua luz de mil cores...Sequei-as rapidamente, pensei que tinha sido muitissimo abençoada, ao passar todo aquele tempo, vendo a família reunida, usufruindo a sua companhia e ao mesmo tempo gozando as delícias de estar numa terra onde me sinto bem! Pedir mais? Não...
Estava vento, o mar agitado, o jetfoil balançava, por vezes parecia que ia levantar vôo...Não enjôo, até gostei de ser embalada, precisava até...!!!!




Para afastar pensamentos menos bons, peguei num livro que tinha escolhido para ler na viagem, Chá Verde da pintora e poetisa Fernanda Dias, uma alentejana que chegou a Macau em 1986. Com um prefácio espectacular de Yao Jingming, outro grande poeta de Macau, professor universitário.
Na primeira página estavam escritas estas palavras de Yaun Mei, que inspiraram a autora:
" ...
bebo lentamente, em busca do sabor para além do sabor, o aroma ainda perdura na taça já vazia." ( Yan Mei, a prova de chá, 1786)

E fui lendo:


chá: esse outro meu coração verde
que fora do meu peito pulsa.
ritual de silêncio, amargo e quente,
que te dou a beber em cada taça

Definição, Chá Verde - Fernanda Dias

o sol cai, ouro líquido,
nos lagos de Nam Vam.
o céu atrás do leque de água
jade e nácar na neblina.
o chá verde, um aaroma;
e a música que fazes,
rosto e timbre da tarde.

Exaltação das Tardes, Chá Verde - Fernanda Dias

e para que o perfume da rosa não nos sufocasse
com o seu mistério antigo e decadente
os deuses deram o sabor às lichias
a cor aos lótus, e essa frescura acetinada e dura
ao opulento jade do teu peito.

Sonho de Primavera, Chá Verde - Fernanda Dias


Depois, consegui dormir no avião, entre Hong Kong e Paris, coisa rara...Perdi o avião em Paris por minutos, juntamente com tantos outros que iam para tantos lados...Apanhei o avião a seguir, perdi as malas...Esperei pelo avião seguinte e...encontrei-as...Para quê desesperar???? Tudo tem solução, mais vale ter calma!
Aprendi mais uma lição, que já é a segunda: nunca ficar com apenas 45 minutos para apanhar a ligação no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris...Menos de hora e meia ....só para atletas de alta competição...!!!!

Eu senti que ia ter um enfarte...!!!!!! Pô...!!!!

Os amigos que nos aguardaram no Porto com tanta paciência, trouxeram-nos para casa, no meio de conversas e mais conversas, que todos adoramos, principalmente de viagens e especialmente de Macau, que já pisaram por duas vezes e...até já nem se importavam de voltar a visitar outravez!!!!
As duas gatas fizeram-nos grande festa...Será que se sentiram traídas?
O galo cantou à nossa chegada...Sinal de boas vindas?
A casa estava arrumada, limpa, acolhedora. Depois, estendi-me no sofá, a olhar para o écran da TV, estafada. Adormeci e só acordei agora...
Daqui a pouco estarei a trabalhar, renovadas as energias, coração a transbordar.

um livro, a luz, as persianas
flores de outras latitudes
o corpo estupefacto pois ainda sobrevive
ao espanto ao abandono à fluidez das coisas
tudo flutua como apagados astros
um papel, os pincéis, aguarelas
horas que se esgueiram para os álbuns,
serenos disa ilustrados...

Dias Ilustrados, Chá verde - Fernanda Dias
A todos os que por aqui passaram e me acompanharam nesta viagem, quero deixar um abraço apertado, esperando ter contribuído para mostrar e valorizar Macau, terra acarinhada e desenvolvida por portugueses, macaenses e chineses, hoje orgulho de todos, pela sua beleza, costumes e rico património cultural.
Beijinhos
(imagens da net)

12 maio, 2006

Os poetas de Macau


Macau - Kevin Jenne

Comprei vários livros de poesia, curiosa por conhecer a obra dos poetas desta terra e a forma como a cantaram. Existe apenas uma livraria portuguesa...Isto é que nos deveria envergonhar!
Mas tem os livros mais recentes dos escritores portugueses e estrangeiros e daqueles que fizeram de Macau a sua cidade, tendo aqui nascido ou vivido por tempo mais ou menos longo.
A Antologia de Poetas de Macau, edição do Instituto Camões, de 1999, reune vários poetas que se destacaram nesta terra longínqua.
À cabeça, vem Camilo Pessanha...


"Camilo de Almeida Pessanha nasceu no dia 7 de setembro de 1867 na cidade de Coimbra em Portugal. Após formar-se em Direito foi para Macau, na China, onde exerceu a função de Professor. Acometido de Tuberculose e, segundo alguns estudiosos, viciado em ópio, o que contribuía para o agravamento da doença, retornou várias vezes para a Portugal para tratar da sua saúde. Essas viagens de pouco valeram, uma vez que o poeta faleceu em 1º de março de 1926 em Macau. Camilo Pesanha que é, sem sombra de dúvidas, o maior e mais autêntico poeta Simbolista português foi fortemente influenciado pela poesia de do poeta frances Verlaine.
Sua poesia, que influenciou vários poetas modernistas, como por exemplo Fernando Pessoa, mostra o mundo sob a ótica da ilusão, da dor e do pessimismo. O exílio do mundo e a desilusão em relação à Pátria também estão presentes em sua obra e passam a impressão de desintegração do seu ser. A sua obra mais famosa é " Clepsidra", relógio de água, que contém poemas com musicalidade marcante e temas até certo ponto dramáticos."

(fonte: http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/simbolismo/pessanha.htm)

E um dos seus poemas...

Ao meu coração um peso de ferro

Eu hei-de prender na volta do mar.

Ao meu coração um peso de ferro...

Lançá-lo ao mar.

Quem vai embarcar, que vai degredado,

As penas do amor não queira levar...

Marujos, erguei o cofre pesado,

Lançai-o ao mar.

E hei-de mercar um fecho de prata.

O meu coração é o cofre selado.

A sete chaves: tem dentro um carta...

--- A última, de antes do teu noivado.

A sete chaves --- a carta encantada!

E um lenço bordado... Esse hei-de o levar,

Que é para o molhar na água salgada

No dia em que enfim deixar de chorar.

Canção da partida - Camilo Pessanha


Perguntaram-me se ficaria por cá...

Como se pode viver com o coração dividido? Não sei, o futuro é incerto quando pareceria certo e nada, a não ser a passagem para a outra margem, poderia alterar...Sinceramente, sinto que poderia ficar por aqui, reformada, podendo dar à minha neta e outros que viessem o carinho, atenção e tempo que teria, totalmente disponíveis ! O coração está com os afectos e atravessa oceanos e continentes, é certo. Mas precisa ser alimentado, como uma florinha frágil.

Planos, tenho imensos planos...Nunca páro de pensar em tanta coisa para fazer e tanta ternura para dar. Mesmo que o meu tempo acabe um dia destes, agrada-me acreditar que voltarei, para uma outra vida cheia de planos, ideias e carinhos.

O dia de regresso aproxima-se...E com ele, a separação da família.

Foi doce este tempo de reunião à volta do pescador, comemorando os seus 60 anos de vida, em terra de flores de lótus, frangipani, orquídeas, buganvilleas, acácias vermelhas.

Flor de Lótus

Beijinhos

11 maio, 2006

Macau, Património Cultural Mundial da UNESCO

Igreja de SãoPaulo

Desde o dia 15 de Julho de 2005, o Centro Histórico de Macau foi inscrito na prestigiada Lista do Património Mundial da UNESCO por unanimidade.


Largo do Lilau: quem bebe do Lilau, nunca mais deixa Macau...

“O Centro Histórico de Macau” é o produto único de mais de 400 anos de intercâmbio cultural entre o mundo ocidental e a civilização chinesa.Este património arquitectónico, predominantemente de raiz europeia, ergue-se por entre construções de arquitectura tradicional chinesa no povoado histórico, evidenciando um notório contraste. “O Centro Histórico de Macau” constitui o conjunto arquitectónico de raiz europeia mais antigo, mais completo e mais bem consolidado que ainda se mantém intacto em solo chinês.
--------------------------------------------------------------
“O Centro Histórico de Macau” constitui uma representação ainda existente do povoado histórico que marcou os primórdios da cidade, envolvendo legados arquitectónicos entrelaçados no tecido urbano original da mesma, que inclui ruas e praças, tais como o Largo da Barra, o Largo do Lilau, o Largo de Santo Agostinho, o Largo do Senado, o Largo da Sé, o Largo de S. Domingos, o Largo da Companhia de Jesus e o Largo de Camões. Estas praças principais e ambientes urbanos estabelecem a ligação entre uma sucessão de mais de vinte monumentos, que incluem o Templo de A-Má, o Quartel dos Mouros, a Casa do Mandarim, a Igreja de S. Lourenço, a Igreja e Seminário de S. José, o Teatro D. Pedro V, a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, a Igreja de Santo Agostinho, o Edifício do Leal Senado, o Templo de Sam Kai Vui Kun, a Santa Casa da Misericórdia, a Igreja da Sé, a Casa de Lou Kau, a Igreja de S. Domingos, as Ruínas de S. Paulo, o Templo de Na Tcha, a Secção das Antigas Muralhas de Defesa, a Fortaleza do Monte, a Igreja de Santo António, a Casa Garden, o Cemitério Protestante e a Fortaleza da Guia (incluindo a Capela e Farol da Guia), sendo conhecidos no seu conjunto como “O Centro Histórico de Macau”.
-----------------------------------------------------
Está tudo aqui: http://www.macauheritage.net/mherit/indexP.asp

Não estão incluídas estas....

Palácio do antigo governador


Casas da Taipa

Devemos sentir-nos orgulhosos, sim, da obra que deixámos aqui. Embora o português pouco se fale, sendo o inglês e o cantonês as línguas mais usadas, todos os monumentos que enriquecem a cidade de Macau são altamente apreciados pelos milhares de turistas, principalmente chineses, que visitam esta cidade e que a fotografam sem cessar...
É uma cidade muito bonita, com uma mística própria, onde em cada rua e esquina se observam costumes diferentes que enriquecem o nosso saber.
Nunca é demais observar e aprender!

Beijinhos

10 maio, 2006

Na Gruta do Grande Poeta!

Ao fim da tarde fizémos o caminho desde o Leal Senado ao Jardim Camões. Não é uma grande distância, mas o calor apertava, o ar estava abafado ...Foi difícil lá chegar!
O jardim está muito bem cuidado e depois de subir uma escadaria a muito custo, apareceu, iluminada, ao lusco-fusco, a gruta de Camões...
Gruta de Camões

Estátua de Camões
Inscrição dentro da gruta
Deixo-vos com as palavras dum poeta de Macau, Josué da Silva ...
Foste vendaval, crista de onda verde
Cuspindo sangrenta o desprezo pela vida,
Quando entre ti se interpunha a sede
De ires à lua, ou de espada à lida,
para dares à Grei à honra que precede
o ser primeira e sempre decidida

a soltar nos mares o grito de bravura
ao leme de todos os cabos da esperança,
que a terra era um sem pão de amargura,
um zé ninguém da dor e sem herança
capaz, pra dar aos filhos um algo de ternura
mesmo conquistado na ponta duma lança.

E serias tu, peão desavindo do poder,
Como cão atirado na lama do sistema,
quem na tua taura lira e em teu crer
em delírio, ofertava à Mãe suprema
a chama e a luz de se reconhecer
inteira, no canto universal do teu Poema.

Por fim aqui me encontro Insigne Varão
Nesta gruta tão triste e tão sombria,
Tentando nela haurir toda a paixão
Que obriga com que desta pedra fria,
Se oiça o palpitar de um coração
Que fez de Portugal, a alma da Poesia.

Camões a Oriente Triste – Josué da Silva (1930)
Beijinhos