
Macau - Kevin Jenne
Comprei vários livros de poesia, curiosa por conhecer a obra dos poetas desta terra e a forma como a cantaram. Existe apenas uma livraria portuguesa...Isto é que nos deveria envergonhar!
Mas tem os livros mais recentes dos escritores portugueses e estrangeiros e daqueles que fizeram de Macau a sua cidade, tendo aqui nascido ou vivido por tempo mais ou menos longo.
A Antologia de Poetas de Macau, edição do Instituto Camões, de 1999, reune vários poetas que se destacaram nesta terra longínqua.
À cabeça, vem Camilo Pessanha...

"Camilo de Almeida Pessanha nasceu no dia 7 de setembro de 1867 na cidade de Coimbra em Portugal. Após formar-se em Direito foi para Macau, na China, onde exerceu a função de Professor. Acometido de Tuberculose e, segundo alguns estudiosos, viciado em ópio, o que contribuía para o agravamento da doença, retornou várias vezes para a Portugal para tratar da sua saúde. Essas viagens de pouco valeram, uma vez que o poeta faleceu em 1º de março de 1926 em Macau. Camilo Pesanha que é, sem sombra de dúvidas, o maior e mais autêntico poeta Simbolista português foi fortemente influenciado pela poesia de do poeta frances Verlaine.
Sua poesia, que influenciou vários poetas modernistas, como por exemplo Fernando Pessoa, mostra o mundo sob a ótica da ilusão, da dor e do pessimismo. O exílio do mundo e a desilusão em relação à Pátria também estão presentes em sua obra e passam a impressão de desintegração do seu ser. A sua obra mais famosa é " Clepsidra", relógio de água, que contém poemas com musicalidade marcante e temas até certo ponto dramáticos."
(fonte: http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura1/simbolismo/pessanha.htm)
E um dos seus poemas...
Ao meu coração um peso de ferro
Eu hei-de prender na volta do mar.
Ao meu coração um peso de ferro...
Lançá-lo ao mar.
Quem vai embarcar, que vai degredado,
As penas do amor não queira levar...
Marujos, erguei o cofre pesado,
Lançai-o ao mar.
E hei-de mercar um fecho de prata.
O meu coração é o cofre selado.
A sete chaves: tem dentro um carta...
--- A última, de antes do teu noivado.
A sete chaves --- a carta encantada!
E um lenço bordado... Esse hei-de o levar,
Que é para o molhar na água salgada
No dia em que enfim deixar de chorar.
Canção da partida - Camilo Pessanha
Perguntaram-me se ficaria por cá...
Como se pode viver com o coração dividido? Não sei, o futuro é incerto quando pareceria certo e nada, a não ser a passagem para a outra margem, poderia alterar...Sinceramente, sinto que poderia ficar por aqui, reformada, podendo dar à minha neta e outros que viessem o carinho, atenção e tempo que teria, totalmente disponíveis ! O coração está com os afectos e atravessa oceanos e continentes, é certo. Mas precisa ser alimentado, como uma florinha frágil.
Planos, tenho imensos planos...Nunca páro de pensar em tanta coisa para fazer e tanta ternura para dar. Mesmo que o meu tempo acabe um dia destes, agrada-me acreditar que voltarei, para uma outra vida cheia de planos, ideias e carinhos.
O dia de regresso aproxima-se...E com ele, a separação da família.
Foi doce este tempo de reunião à volta do pescador, comemorando os seus 60 anos de vida, em terra de flores de lótus, frangipani, orquídeas, buganvilleas, acácias vermelhas.

Flor de Lótus
Beijinhos