
Match Point é um filme de Woody Allen, sem ele...
Trata-se de uma comédia negra, passada em Londres e não em Manhattan, como nos habituou!
Mas Woody Allen não nos desilude : está lá, na direcção de actores, nos planos, no humor, nas questões que coloca.

Fala de ambição, de subir a pulso, de tentação, de infidelidade, de status social, de sorte...
É o triângulo amoroso: a doce e rica mulher pertencente a uma burguesia alta londrina, que o impulsiona na carreira e que lhe dá o status ambicionado, a mulher americana fatal, actriz falhada por quem tem uma paixão violenta, e ele, o rapazinho pobre, irlandês, instrutor de ténis, que ambiciona ter tudo!
O filme começa com uma pergunta: vencer na vida é uma questão de sorte ou o resultado de trabalho árduo?

Scarlett Johanssen está belíssima, quase sem maquilhagem, provocante, com uma interpretação com a qualidade que nos encantou em "A Rapariga com o Brinco de Pérola".

Jonathan Rhys-Meyer, só olhos e boca grande e sensual, faz parte da nova vaga de actores, transmite-nos um misto de sensações : simpatia, atracção, repúdia, alívio... Estranho!
Como mulher enamorada, tenho alguma dificuldade em dar a minha opinião desapaixonada acerca do tema deste filme e do comportamento das suas personagens.

Escrevi uma vez num post:
Não suporto a infidelidade. Quero o meu amor só para mim! Ao longo destes 33 anos de vida em comum, continuo apaixonada, e posso dizer que sofreria imenso, talvez duma maneira irreversível, se fosse atraiçoada. Porque é disso que trata a infidelidade: traição, humilhação, troca...
Quando amamos verdadeiramente, ficamos em estado de graça, em paz connosco e com o mundo!
A tentação é verdadeira, somos humanos... O assédio é mais que real...
Mas o preço que eventualmente se poderá pagar é alto. Algo que, à primeira vista nos poderá parecer o paraíso em emoções e sensações nunca antes experimentadas, pode, no minuto seguinte desaparecer, quando a pressão, a chantagem, o medo de se perder o que se adquiriu ou de enfrentar a sociedade e família, dar lugar a comportamentos que levarão a extremos e resultam em infelicidade.
Enfim, se não se contar com o factor Sorte...
A ópera está sempre presente e a música de Verdi e Bizet dão o tom de thriller romântico...
Se gostei do filme? Muito!